Perguntas e Respostas com Analista David Cappuccio

VP do Gartner e Distinguished Analyst

Confira as perguntas e respostas que impactam o seu dia a dia. Essas e outras importantes questões sobre tendências, infraestruturas híbridas, migração, cloud, tecnologias emergentes e questões prioritárias para as áreas de Infraestrutura e Operações de TI do Brasil você verá na conferência nos dias 24 e 25 de abril.

PERGUNTA 1

Atualmente, qual é o impacto da migração para a cloud na infraestrutura de TI?

R: A migração para a cloud é o ponto central da transformação digital de uma organização de TI. Mas também é uma força altamente disruptiva. O suporte a sistemas legados com soluções na cloud cria uma infraestrutura de TI híbrida, que coloca alguns desafios: dividir silos e integrar processos, gerenciar dados em diferentes sistemas e softwares, determinar quais cargas de trabalho migrar, estabelecer medidas de governança e segurança e lidar com Shadow IT. Mas os benefícios podem ser significativos: mais velocidade, agilidade e resiliência.

 

A cloud não torna simplesmente o negócio mais eficiente - pode transformá-lo.

 

As organizações precisam reconhecer que uma infraestrutura de TI híbrida está se tornando, rapidamente, a regra. O papel do data center tradicional será relegado a uma área de controle legada, dedicada a serviços muito específicos que não podem ser suportados em outro lugar. De fato, para muitas organizações, o data center não é mais o ponto central dos seus dados. As infraestruturas híbridas se tornaram a nova realidade e abrangem não apenas aquelas on-premises, mas de colocation, edge, microdata center, cloud pública, SaaS e cloud privada.

 

A previsão do Gartner é que, até 2025, 80% das empresas estarão utilizando uma arquitetura moderna e mais distribuída, que atualmente representa 10%. À medida que os serviços de interconexão, provedores de cloud, a Internet das Coisas (IoT), serviços na edge e as soluções de SaaS proliferam, a lógica de permanecer em um data center tradicional terá vantagens limitadas. Não se trata de uma transformação da noite para o dia, mas de uma mudança evolutiva na forma como fornecemos os serviços aos nossos clientes e às empresas.

 

As infraestruturas de TI estão mudando. E os arquitetos e líderes de TI precisam se preparar para isso. Como um veículo para os negócios digitais da próxima geração, a moderna infraestrutura de TI será distribuída, onde for necessária, para suportar tipos de carga de trabalho específicos. Essencialmente, o seu data center estará em todo lugar.

PERGUNTA 2

Quando se trata de tendências emergentes, o que deveria estar nos radares dos líderes de I&O?

R: Estratégias envolvendo a distribuição da carga de trabalho, gestão de containers e gestão multi-cloud, são três áreas com impacto significativo nas organizações de infraestrutura e operações (I&O).

 

Distribuição da carga de trabalho

Vamos começar com as estratégias de distribuição da carga de trabalho.

 

O gerenciamento e a distribuição da carga de trabalho se tornará um fator impulsionador essencial para a entrega da infraestrutura digital. Embora a maioria das organizações não fique 100% na cloud, grande parte de suas cargas de trabalho pode ser transferida para outro lugar, mas decidir quais cargas serão transferidas pode ajudar ou destruir uma estratégia de cloud.

 

Mas não é tão simples assim. Os líderes de I&O estão se esforçando para descobrir quais cargas de trabalho são mais adequadas para determinado local - seja na cloud pública, hospedagem, colocation, SaaS, Edge ou até mesmo on-premise. Os líderes de I&O que tiveram êxito têm algo em comum. Eles compartilham uma estratégia focada no valor do negócio e não apenas na adoção da cloud. Eles percebem que, embora uma estratégia de "cloud first" seja a tendência, um modelo mais realista é "cloud first, mas nem sempre."

 

Determinar as cargas de trabalho certas que devem ser migradas, no momento certo, pelas razões certas, para o fornecedor certo, será a chave para o sucesso. Com isso em mente, os líderes de I&O estão começando a criar estratégias de TI que se concentram em seus portfólios de aplicativos, e não na infraestrutura física. Eles estão deixando de lado as tradicionais decisões orientadas pela arquitetura de TI e adotando uma estratégia orientada por serviços. 

 

Gestão de containers

As equipes de I&O precisam entregar as aplicações mais rápido do que nunca. Obter produtos e serviços de software mais rapidamente pode se traduzir em maior participação de mercado no futuro.

 

O uso de containers, uma das tendências mais recentes da atualidade, pode ajudar as empresas a modernizar os aplicativos legados e criar novos aplicativos nativos na cloud que sejam escaláveis e ágeis. Modelos de container, como o Docker, são uma maneira de padronizar aplicativos. O Gartner prevê que até 2020, mais de 50% das organizações globais irão executar aplicativos em containers na produção, contra menos de 20% em 2017. 

 

Mas e quanto à gestão de containers? Os containers têm um potencial de expansão maior do que muitas máquinas virtuais. Atualmente, existem várias soluções de software para gestão de containers no mercado e, em muitos casos, essas soluções permitem que as empresas usem containers como substitutos dos servidores de aplicativos. Embora os desenvolvedores de aplicativos sejam os primeiros a adotar a tecnologia de containers, os fornecedores de software de gestão de containers estão cada vez mais visando a I&O para desenvolver oportunidades em toda a empresa.

 

Conclusão: ao optar por uma solução de gestão de containers, trabalhe com sua comunidade de desenvolvedores de aplicativos desde o início e com frequência para garantir que os requisitos de desenvolvimento de I&O e de aplicativos sejam igualmente atendidos.

 

Gestão multi-cloud

À medida que as infraestruturas multi-cloud continuam a crescer, como você pode fazer com que o modelo funcione na sua empresa? O maior obstáculo à adoção de multi-cloud tem sido a falta de ferramentas de gestão confiáveis, o que leva as organizações de I&O a montar suas próprias abordagens.

 

Criar uma estratégia coerente de gestão multi-cloud significa lidar com a proliferação de novos ambientes e com os requisitos em evolução de apoio a novos serviços nativos na cloud. Avalie quais são as necessidades específicas e as diferentes tecnologias da sua organização em diferentes plataformas de cloud. Se você deseja selecionar uma única ferramenta de gestão da cloud ampla e ideal, pode se decepcionar. Uma implementação bem-sucedida de gestão da cloud requer uma série de ferramentas diferentes e as habilidades para integrá-las. Você precisa de uma visão acordada e compartilhada em toda a organização sobre como a gestão entre plataformas será entregue. O resultado: uma abordagem sistemática e bem definida para determinar os requisitos, mas que também garante que as ferramentas sejam compatíveis com esses requisitos. O objetivo: minimizar o número de ferramentas necessárias.

 

Lembre-se disso: o conjunto de ferramentas de gestão da cloud tem como objetivo a solução de diferentes desafios relacionados à gestão. Consequentemente, a amplitude e a abrangência da oferta de serviços variam muito entre as soluções.

 

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PERGUNTA 3

Que questões polêmicas estão impulsionando a liderança de Infraestrutura & Operações?

R: Eu as resumiria a quatro: rompimento de silos verticais, desenvolvimento de habilidades, intermediação de TI e a necessidade de adotar funções emergentes.

 

 

Neste momento, o apetite dos negócios por mudanças rápidas e a complexidade das infraestruturas e soluções tecnológicas estão em alta, colocando maiores demandas nos líderes de I&O para desenvolver conjuntos de habilidades. Essa pressão é intensificada pelas realidades orçamentárias, que para muitos restringem um aumento no número de funcionários. E mesmo aqueles com um orçamento adicional descobriram que o mercado para profissionais altamente qualificados, que realmente entendem como se dá o suporte à infraestrutura híbrida, é limitado e muito caro. No entanto, grande parte dos talentos de I&O reside em silos de conhecimento tecnológico. A questão é: como você pode romper esses silos e desenvolver o talento de modo a fornecer uma infraestrutura híbrida na velocidade exigida pelos negócios digitais? Um passo essencial é desenvolver a versatilidade da sua equipe. Em essência, devemos criar um novo papel: o de versatilista de TI.

 

Desenvolver a versatilidade da equipe significa complementar a experiência vertical da sua equipe com recursos adicionais, com foco no conhecimento dos negócios e no conhecimento do provedores de serviços. Um versatilista em TI pode romper o pensamento limitado de um único silo de tecnologia e oferecer um pensamento mais amplo para fazer com que o relacionamento entre provedores e empresas funcione - um relacionamento baseado na atual infraestrutura digital distribuída. Cabe aos líderes de I&O identificar e desenvolver os profissionais que demonstram essas principais capacidades.

 

Até 2021, 40% da equipe de TI será versátil, ocupando vários cargos, sendo que a maioria deles será relacionado aos negócios e não à tecnologia.

 

O ponto principal é: O perfil da função do “versatilista” está substituindo especialistas e generalistas e é um imperativo da liderança de I&O para o sucesso com novos modelos operacionais de I&O orientados a produtos (negócios digitais, plataformas, cloud, DevOps, etc.)

 

Talento e habilidades são as principais restrições internas ao crescimento dos negócios digitais. À medida que a infraestrutura de TI evolui, novas funções estão surgindo. A principal delas é a de broker de TI na cloud, responsável pelo monitoramento e gestão de vários provedores de serviços na cloud. Em seguida, temos o arquiteto de IoT, encarregado de entender o impacto potencial de vários sistemas de IoT nas infraestruturas.

 

Você também deve estar preparado para expandir conjuntos de habilidades, práticas e procedimentos de I&O para acomodar operações baseadas na cloud, incluindo proteção, backup e recuperação de dados baseados na cloud. Além disso, não parta do princípio de que as cargas de trabalho na cloud serão gerenciadas por elas mesmas. As cargas de trabalho que são migradas ainda precisam ser gerenciadas e, na maioria dos casos, seus clientes não irão chamar o provedor da cloud caso tenham problemas de desempenho. Eles ligarão para você.

 

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PERGUNTA  4

Quais questões devem ser prioritárias para as operações de TI?

R: Para ter sucesso nesse novo ambiente, os líderes de operações de TI devem se concentrar na gestão da carga de trabalho, na entrega da infraestrutura global e em novas abordagens para a descoberta e o gerenciamento de ativos.

 

À medida que a infraestrutura de TI híbrida evolui, um novo modelo de design surge: a entrega da infraestrutura global. Este modelo permite que os líderes de I&O escolham as melhores combinações de atributos de serviços internos e externos. Apesar da crescente adoção de serviços na cloud, uma transição completa para a cloud pode ser algo improvável para a maioria das empresas. O que é mais provável é que a infraestrutura no futuro próximo seja híbrida, e o uso de recursos associados de colocation, edge e cloud será essencial para o seu sucesso.

 

O que isso significa para a gestão da carga de trabalho? Sua estratégia deve se concentrar no serviço que está sendo entregue ao negócio, não na infraestrutura física em que está sendo entregue. Essa mudança no ponto de vista significa que o aplicativo ou a carga de trabalho resultante pode residir em muitos locais diferentes ou ser suportado por muitos provedores diferentes. Onde deve ser colocada? Comece fazendo perguntas relacionadas aos negócios para cada carga de trabalho de aplicativo que a TI suporta ou desenvolve. Como mencionado anteriormente, nem todas as cargas de trabalho são criadas igualmente. A avaliação das respostas de cada uma das suas cargas de trabalho ajudará você a definir seu modelo de entrega de infraestrutura para o futuro.

 

Em um ambiente digital distribuído, com seu mix híbrido de sourcing e arquiteturas, a localização física de um ativo não será tão claramente definida, embora seus atributos, desempenho, KPIs e custo ainda tenham um impacto significativo sobre como a I&O entrega serviços. Em última análise, a I&O continua responsável pelos ativos e pela experiência do usuário final. A gestão global da infraestrutura deve fornecer as ferramentas necessárias para que a I&O possam monitorar e gerenciar qualquer ativo ou processo, em qualquer lugar, a qualquer momento. 

 

As infraestruturas digitais distribuídas estão criando uma situação na qual a I&O precisa de um monitoramento de infraestrutura que vai além do domínio local da maioria das ferramentas de DCIM (Data Center Infrastructure Management). Há uma expectativa de que as ferramentas de DCIM mudem de uma forma significativa nos próximos anos. No curto prazo, veremos uma extensão do modelo DCIM para que sua capacidade de identificar o local dos ativos se propague para além do data center. O modelo se tornará mais inclusivo e evoluirá para incorporar o analytics preditivo para que, eventualmente, as organizações possam descobrir e gerenciar uma infraestrutura distribuída a partir de um local central.

 

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PERGUNTA 5

E quanto à segurança da infraestrutura de TI híbrida em geral?

R: À medida que mais e mais organizações migram para arquiteturas de cloud híbrida, aumenta a confusão em torno da segurança. O desafio da infraestrutura de TI híbrida é que você precisa desenvolver políticas de segurança que funcionem em um mundo de modelos de propriedade combinados - seja on-premise ou off-premise.

 

Embora você possa gerenciar seu data center local com uma série de políticas e procedimentos confiáveis, essas políticas e procedimentos talvez não possam ser facilmente transferíveis para a cloud. Em relação à sua infraestrutura híbrida, seu objetivo final deve ser configurar e manter a política de segurança de uma maneira uniforme de uma forma geral. No entanto, se você está lidando com um ou mais provedores de cloud, cumprir essa meta pode ser complicado. Como as plataformas de cloud não são todas iguais, a transferência de recursos de segurança pode ser onerosa. Agora, se você está lidando em um ambiente multi-cloud, os problemas se tornam mais complexos. É por isso que muitos líderes de TI estão buscando uma plataforma de gestão multi-cloud para reduzir a complexidade de centralizar as políticas de segurança.

 

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